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24 de fevereiro de 2013

O quadrinho que conta minha história

Imagem: Boutique de Achados
 

Vocês já devem estar cansados de saber que eu defendo que a nossa casa tem que ter nossas referências, objetos que contem alguma história. Coisas que indiquem um pouco do que nós somos. Deixei isso claro com os mimos parte 1  e 2.
Mas esse objeto que mostro para vocês hoje vai muito além de um pequeno mimo com uma historinha fofa. Está mais para uma governanta, daquelas bem rígidas. Como pode um quadrinho de telefone ser rígido? Senta aí que vou te contar um pouquinho da minha história.
Eu tive meningite com 1 ano e 8 meses. Não perdi a vida, mas perdi a audição. Dos males, o menor, graças a Deus. Mas eu tive a sorte de ter tido os pais que tive. Eles não sossegaram enquanto eu não me oralizasse. Estudei em colégio regular e cursei a  universidade usando apenas a leitura labial. Sempre tive facilidade para me comunicar sem o apoio auditivo, mas isso não quer dizer que eu recusaria o vento se a vida resolvesse soprar a meu favor.
E não é que um sopro lindo bateu à minha porta quando eu tinha 20 anos? Consegui fazer o implante coclear. Se você nunca ouviu falar, mas se interessou pelo assunto, no Wikipédia tem um resumo, clique aqui.
Com o implante, a minha audição, quando estou com o aparelho externo ligado, fica bem próxima a de um ouvinte. Só que eu a perdi ainda bem pequena e fiquei quase 18 anos no silêncio. Consequentemente, não desenvolvi a memória auditiva. Eu tive e ainda tenho que aprender a ouvir. A grosso modo, é como aprender um idioma novo, daqueles bem difíceis, tipo árabe ou mandarim. Na época que passei por uma avaliação multidisciplinar, antes de passar pela cirurgia, as fonoaudiólogas e as psicólogas me dizeram que dificilmente eu falaria no telefone, mas que isso não queria dizer que eu não poderia tentar.
Ao longo desse tempo, eu já tentei várias vezes, poucas delas com sucesso. Mas eu não me importo. Cada vez que eu consigo é uma vitória indescritível! Em meados de 2010, gostava muito de falar com dois amigos, mas depois eles saíram do Rio de Janeiro e esse tipo de comunicação ficou bem dificultada.
Desde que eu saí de casa para morar sozinha, a necessidade de treinar mais, me esforçar mais, começou a falar bem alto dentro de mim. Determinei que sempre que desse, ao invés de mandar torpedo para minha mãe, eu deveria ligar. Se desse certo, ótimo. Se não funcionasse, aí sim, recorreria ao torpedo. Fracassei várias vezes. Mas também já saí saltitando pela casa por ter conseguido manter uma conversa por 5 minutos, o que é muito para mim. Ultimamente, tenho arriscado falar com alguns amigos. Falar no telefone me exige um esforço sobrenatural, tenho que estar muito concentrada, num ambiente silencioso; então é natural que às vezes eu queira recorrer ao torpedo de primeira. Se eu estiver cansada, então...

Onde entra o quadrinho?

Tem um blog fofíssimo, cheio de ambientes inspiradores, o Achados de Decoração, da Carmen Martins, conhece? Através desse blog, conheci a loja virtual da Carmen, a Boutique de Achados. Tem muita coisa fofa lá, que dá vontade de apertar a bochecha dos objetos - se eles a tivessem. Um dia, passeando pela loja, dei de cara com esse quadrinho de telefone antiguinho. Gente, eu AMEI! Era como se ele dizesse para mim:
- Você tem que ligar mais vezes. Você tem que treinar! Abandone essa preguiça. Já para o telefone!

Além de me dar um alerta cada vez que olho para ele, ainda tem esse ar retrô! Muito a minha cara, não?


Esse post não é um publieditorial. Apenas quis mostrar para vocês um objeto novo que conta uma parte marcante da minha história e do meu dia a dia.

14 de fevereiro de 2013

Mesinha de cabeceira

Tempos atrás ganhei uma mesinha redonda com pés palito. Mas na casa da minha mãe não tinha onde colocar, então a mesinha foi desmontada e guardada. Quando me mudei, ela veio comigo e virou minha mesinha de cabeceira.
A bichinha tinha um problema: é de má qualidade. Os pés nem tanto, mas a tábua redonda é de compensado de madeira, que mais parece serragem solta. Por isso, ela ficou esses meses todos  coberta com uma toalha. Mas era um pecado maior que a gula deixar três pés palito cobertos. A mesa teria que se despir, se valorizar. E para isso, uma intervenção seria necessária.
 
 


Levei a mesinha para a varanda. Decidi pintá-la de azul, porque já tinha a tinta dando sopa aqui em casa - foi sobra do Céu de Brigadeiro, da Coral, que usei no pseudo-buffet.
 
 



Todos nós sabemos que o recomendado é lixar a peça antes de pintar. Mas não tive coragem. Olhem a textura da tábua. Fiquei com medo de esfarelar tudo e fazer uma mega lambança. Deixei quieto e passei a tinta por cima. Ao todo foram 3 demãos.


Como a textura estava uó, eu não tive como deixar só pintado. Continuava feio e chamando a atenção. Apelei para o papel adesivo da marca Alkor e colei na parte de cima. Na lateral, fica aparecendo a textura feia, mas não ficou tão gritante, dá para passar batido.
Gostei do contraponto dessa estampa com o azul. Achei que ficou romântico e trouxe um toque de fofurice para um quarto com móveis modernos.


A mesinha já desnuda, no seu devido lugar: abrigando a luminária, a moringa da Mafalda, um relógio-de-pulso-de-parede-que-também-pode-ficar-apoiado e um livrinho de cabeceira.


Aí está um pedacinho-inho do meu quarto. Ainda mostrarei ele todinho para vocês. Mas por enquanto, foco na mesinha de cabeceira. Ela é a protagonista do capítulo de hoje!

11 de fevereiro de 2013

A sala da Sandra e do Franklin

Eu conheci a Sandra estudando fotografia. Estreitamos os laços quando ela passou a me oferecer carona e voltávamos das aulas conversando. Muito gente boa, ela.
Até que um dia, numa reunião, eu conheci a casa dela. Gente, me apaixonei! Aconchegante e coloridinha. Era visível o toque de amor que cada cantinho da sala recebeu. O ambiente tinha aquele ar de: "pode entrar, você está sendo abraçado". Nem preciso dizer em que clima transcorreu aquela reunião, né? Mais aconchegante, impossível!
Eu ainda não imaginava que alguns meses depois já teria um cafofo para chamar de meu. Mas o meu íntimo já estava envolvido com o mundo da decoração, e jamais me esqueci daquela sala. E agora, com o blog no ar, me deu vontade de mostrar um pedaço dessa casa de verdade para vocês. Perguntei à Sandra, se ela concordava em mostrar a salinha dela aqui no blog, ela aceitou e me mandou as fotos. É uma fofa, ou não é?

 
 
Visão geral da sala de estar. Já deu para sentir o clima aconchegante? Muitos móveis de madeira, sem contudo, deixar o ambiente pesado. Repare nos detalhes: as almofadas estampadas e a Torre Eiffel vermelha dão um toque de cor ao ambiente. As plantinhas e os livros na mesa de centro dizem "aqui tem vida!".
 



 Foto de outro ângulo. O gatinho cinza estava presente na reunião em que conheci esta casa.


 
Quando a Sandra respondeu o meu e-mail, ela disse que a sala tinha passado por umas modificações, para receber aquele armário, ao fundo. Foi feito pelo Franklin, o marido, segundo ela, "um artesão de mão cheia". Bota cheia nisso! Não é lindo o armário?
Outra coisa que merece uma grande observação é a poltrona. Ela não estava lá quando eu conheci essa casa. Achei que foi uma felicíssima escolha - esse coloridão fez um contraponto com o sofá branco e os móveis neutros. E tem pés palitos que me remetem aos anos 50. Já contei para vocês que queria ter vivido os anos 50?
 

 
Essa foto é para vocês verem os detalhes, mesmo que seja difícil. Estão vendo os nichos que abrigam os CDs? Viram que tem uma foto ali em baixo? Então, a Sandra, ela tem um trabalho muito interessante. Não fica só na fotografia. Ela fotografa e pinta as fotos. O efeito é bem bacanudo! Esse aí é o neto dela, Miguel. Segundo a Sandra, ele é um amante da música, e essa imagem do menino com um fone tinha tudo a ver com o cantinho dos CDs. Não é uma enorme referência? Não tem como não entrar nessa casa, olhar para essa imagem e não ter certeza de que se está na casa da Sandra.
Viu os pratinhos na parede? Eles trazem um quê de romantismo ao ambiente, vocês não acham?
Agora olhem para a mesa de centro. Viram o letreiro dos Beatles? Tudo a ver com moradores que amam música. E a mini câmera fotográfica antigona? Eu sei que está difícil de ver, mas faça um esforcinho aí! Está perto dos livros à esquerda. A cara da moradora. 



 

Estilo é para poucos, mas pode ser para todos. É só abrir sua visão para novas possibilidades. Olha essa prateleira lá no teto só para abrigar mimos. Sacada de mestre!
 


 Outro ângulo da sala - o jantar. Esse cantinho prova que aqui ninguém tem medo das cores. O vermelho da parede faz um contraste bem interessante. O caminho de mesa é bem colorido, reparou no enfeite? Ao invés das tradicionais flores, a Sandra inovou e colocou velas. Amei esse arranjo, bem fora do lugar comum!
Quando eu perguntei para a Sandra se ela poderia contar a história de algum objeto da sala, ela me contou a desse quadro de ciclista:
'Um dia estava passeando com minha filha e me apaixonei pelo quadro do ciclista carregando um coelho na garupa do artista plástico Alemão. Eu queria dar um toque alegre, de casa de "Vovucha" para o Miguel, aliás na porta do ap tem uma placa de Madeira escrito "Casa da Vovucha".'
O quadro é lindo, mas a historinha é mais linda ainda. Ótima sacada, Sandra, acho que você conseguiu o seu intento!
Você reparou na luminária que aparece nessa foto e na anterior? Ela dá um toque moderno a um ambiente aconchegante. Sempre acredito que esse tipo de combinação costuma ser feliz.


Me amarrei no espelho. Não creio que tenha sido proposital, mas ele me lembra um cavalete. E um cavalete combina muito com quem pinta fotos.


Não é porque é corredor, que tem que ficar esquecido. A Sandra também presenteou-o com mimos!


Agora me diz se essa casa não merece aplausos? Também se sentiu abraçado?

5 de fevereiro de 2013

Mimos da casa - parte 2

Lembra quando eu falei da importância das nossas referências? Que os mimos da casa podem falar - e muito  de quem somos nós? Se você é novo aqui e não sabe do que estou falando, clique aqui.
Naquele dia, combinei com vocês que mostraria um cômodo por vez, e mostrei os queridinhos da cozinha. Hoje é a vez da sala. Só que como eu tenho o estar, o jantar e o cantinho de leitura, tudo integrado num ambiente só, ficaria muita imagem para carregar, e consequentemente, muita informação de uma vez só. Vou mostrar o estar apenas. O jantar e o cantinho de leitura ficarão para depois.

Teve gente que reclamou que eu nunca tinha mostrado a visão geral da minha sala. Então, antes que eu leve outro puxão de orelha, vou mostrar a minha salinha querida.

Vista da porta/ do jantar

Vista da varanda/ do estar
Uma vez uma amiga me disse: "Está faltando um tapete na sua sala". Concordo, mas vai ficar faltando. Sou alérgica a ácaros, e não estou disposta a ficar fungando e coçando nariz em prol da beleza. Nossa casa tem que ser bonita, mas tem que ser antes de tudo, funcional e atender às nossas necessidades.
Talvez vocês achem que falta uma mesa de centro. Não pretendo ter. Faço ginástica artística e adoro ter um espacinho para pular (abafa) e treinar elasticidade. O que uma mesa de centro vai fazer aqui? Me atrapalhar. Quero não. Prefiro meus pulinhos e meus espacates.

Salinha mostrada, vamos ao que interessa?

 
 


Quem nasceu nos anos 80 conhece bem esse brinquedo que marcou uma geração: o Pense Bem. Ele remete a uma lembrança gostosa da infância, quando as crianças trocavam os livrinhos, para variar os exerícios propostos pelo brinquedo. Era uma forma bem divertida de aprender sobre matemática, ciências e assuntos variados.
Em cima, é uma mini escultura de resina. Quando comprei, na loja, ela tinha a palavra yoga como referência. Mas eu vejo uma ginasta, com um espacate que eu pretendo conseguir fazer um dia. Tinha que deixar à mostra meu lado pseudo-ginasta, não tinha?




Esses três quadros são trabalhos fotográficos meus inspirados em 3 obras do holandês Johannes Vermeer, que viveu no século XVII. Na ordem, Moça Moça com colar de pérola, Moça lendo carta e Leitora à janela.  Clicando em cada nome você vê as imagens originais que serviram de ponto de partida. Me inspirando um pouco em Mondrian também, resolvi trabalhar com as cores primárias: amarelo, azul e vermelho. Esse trabalho é o meu xodó, e sabia que o dia que eu tivesse a minha casinha, ele teria lugar de destaque na parede do sofá!
Cada foto mede 40X50.

 
Esse cisne tem história. E que história! Comprei de um vendedor ambulante, em Buenos Aires, por 5 pesos. Achei fantástico porque é feito com passagens de metrô. Só que na hora de voltar, eu esqueci o queridinho no hotel. E não é que eles me mandaram por correio, sem cobrar 1 centavo por isso? Se antes disso eu já tinha uma queda pela Argentina, depois dessa, esse país lindo de morrer ganhou meu coração de vez! Ele morou um bom tempo numa prateleira do meu quarto. Mas depois que vim para a Casa de Amados, ele foi promovido e agora faz bonito no meu rack.
 

 
Acredita que isso aí na verdade é um apontador? Ganhei da Fabiana, uma menina que estudou comigo na pós graduação. Ela disse que tinha a minha cara, deve ser por conta desse arzinho retrô. Não é um amor? Tenho dó de usá-lo como apontador, e deixo-o enfeitando a mesinha amarela.
 


Lhama! Comprei num museu em Cusco, Peru. Tinha que ter alguma coisa do Peru aqui em casa, não tinha? Oh, viagem inesquecível! O Peru é tão, mas tão mágico, que às vezes ainda me pego suspirando, quando vejo fotos ou quando me lembro de algo da viagem.


 
Eu nunca fui a Paris, mas essa torrezinha é a prova de que eu tenho amigos que não se esquecem de mim nem quando viajam. Era um chaveirinho, mas eu transformei numa miniatura que faz bonito na mesinha amarela. Quem me deu foi a Aline, que comenta aqui de vez em quando. A mesma que foi se divertir comigo nas alturas peruanas e na elegante Santiago.


Eu sei que a cuia foi feita para tomar chimarrão. Mas eu não sou gaúcha, mate para mim é gelado e adoçado. Mas nem por isso eu viajaria a Porto Alegre e não traria uma cuia. Desvio de função aí, minha gente! Porta lápis para tornar a vida na sala bem mais prática. A canetinha à esquerda eu trouxe do Peru, as outras duas, do Chile. Sendo que a primeira à direita, representa o Rappa Nui, da Ilha de Páscoa.


O elefantinho de pedra sabão veio de uma viagem que fiz a Ouro Preto, no início da faculdade. Sim, ele está com a bundinha virada para a porta. Não que eu acredite nisso, mas se não fizer bem, mal não vai fazer, né?



Os aviões:

Para quem não sabe, eu sou filha de aviador. Isso sempre me encheu de orgulho. Eu chegava na escola e não tinha ninguém com um pai com a profissão igual ao do meu. (Será que o dia que eu tiver um filho, ele terá orgulho de ser filho de uma museóloga?).
Gosto muito de ter referências do meu pai aqui em casa. E nada melhor que aviões!

O primeiro é brinquedinho de loja de 1,99. Custou algo perto dos 5 reais. E o segundo, é um brinquedinho artesanal que comprei durante uma exposição que teve na Sala do Artista Popular, no Museu de Folclore Edison Carneiro.






 
As câmeras:
 
Sou pós graduada em fotografia. E  gostaria que esse meu lado também estivesse presente e visível aqui em casa.
 
 
Essa câmera meu pai trouxe dos Estados Unidos, numa das viagens a trabalho e ela registrou boa parte da minha infância. Impossível riscá-la da minha história.
 

Simples maquininhas dos anos 90/ início de 2000. A da esquerda, era da minha prima, e ela me deu especificamente para decorar o cafofo novo. A da direita, foi a primeira câmera que minha mãe me deu. Ruim, mas me deu a liberdade de fotografar o que eu quisesse - afinal, meus pais não me deixavam mexer na câmera aí de cima. A primeira câmera a gente nunca esquece, né?




Já essas duas acima e abaixo, não tem história, não. Comprei na feirinha da Praça XV para fazer charme. Mas o meu sonho meeeeeeeeeesmo é uma polaroid, uma rolleflex e uma leica. Um dia, quem sabe? Será que já posso dizer que coleciono câmeras?

 
 
E aí? Se anima a me mostrar os mimos da sua sala?

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