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29 de junho de 2015

Inspiração: rejunte colorido




Vocês devem ter notado que eu meio que sumi na semana passada. Foi necessário. Como muitos de vocês já sabem, voltei a estudar e estou cursando design de interiores. O ritmo de vida aqui, que já é uma loucura, ficou ainda mais louco na última semana. Abri mão de todos os dias em que eu tinha treino de ginástica olímpica. Nos dias que não tinha aula, saí do trabalho e fui para casa. Tudo isso porque no sábado eu tive que apresentar o projeto final do primeiro módulo.
Quem me acompanha no instagram viu que na última quinta feira postei essa foto:



Aliás, agradeço a todos vocês que escreveram palavras de carinho, fizeram pensamento positivo, cruzaram os dedinhos. Muito obrigada mesmo! Não dei muitos detalhes ao postar essa foto, mas eu entrei em desespero na quinta feira. Eu fiz todo o projeto à mão, mas tinha que digitalizar para apresentar a uma banca.  E ao scanear, todas as imagens ficaram azuis! Tentei digitalizar de outras formas, e nada. O azul continuava lá. Tentei usar o equilíbrio de cores do photoshop, e os meus traços iam embora junto com o azul. (Quisera eu que o blogger me deixasse inserir aqueles emoticons do whatsapp aqui!) Isso por si só já não é muito legal. Agora imaginem isso acontecendo com uma virginiana perfeccionista!

Não direi que deu tudo certo. Gostaria de ter conseguido tirar o azul das imagens digitalizadas e não ter sido obrigada a partir para o plano B, que não era exatamente como eu queria ter apresentado.  Mas também não posso dizer que deu tudo errado. Acho que a banca gostou do projeto. =) Bem, pelo menos não fizeram muitas considerações (queira Deus que isso seja uma coisa boa, hehe =P ). Mas uma das coisas que comentaram, que eu achei legal foi: 

Pessoa 1: Gostei da saída do rejunte amarelo.
Pessoa 2: (apontando para a pessoa 3) Ela já usou isso num projeto.
Pessoa 3: É, é verdade, já usei.
Pessoa 2: E era amarelo, inclusive.

Fiquei feliz. Mas ontem, ao olhar para o piso uó da minha varanda, meio que me revoltei comigo mesma. Moro numa rua bastante movimentada, e o que não falta na minha varanda é pó preto de poluição, sabe? 

"Que ótimo que tive a ideia do rejunte colorido para o projeto, mas porque raios não pensei nisso antes para minha varanda?"

É claro que fiquei com vontade de colori-la. E é claro que busquei mais inspirações e informações de como se faz isso, e cá estou dividindo com vocês. =)


BRANCO + COR

Creio que a saída mais óbvia quando falamos em colorir rejunte é usar azulejo branco e rejunte colorido. 
É uma ideia que não dá muito erro: branco é difícil de errar, e é sempre mais fácil trocar a cor do rejunte que do azulejo. Pode ser um bom caminho para quem quer colocar um toque de cor na casa, mas está com receio.
 
Imagem: HGVT

Imagem: The Design Sheppard


BRANCO + NEUTRO

Se você quiser sair do lugar comum, mas não estiver pensando em cores mais vibrantes, uma opção é escolher tons neutros: cinza, grafite, areia, preto. Dessas opções, fico com o preto e o grafite, acho super elegante!

Imagem: Chatelaine


COR + COR

Se você está aí, do outro lado da tela, pensando: "Mas porque que eu tenho que ter alguma coisa neutra na minha casa? Eu quero colorir tudo!" ... calma, que tem solução para você também! Azulejos coloridos também podem receber rejuntes coloridos, porque não? Espia só a imagem abaixo, de um dos restaurantes de Jamie Oliver. Aliás, eu se você vocês clicaria no link que leva à fonte original... tem muito mais foto legal lá! =)

Imagem: Blacksheep. Restaurante de Jamie Oliver


PISO TAMBÉM MERECE RECEBER CARINHO!

Na verdade, comecei a procurar as inspirações por causa do meu piso. Mas a gente costuma se esquecer dele, né? Faz todo sentido, as paredes estão mais ao alcance dos nossos olhos, as imperfeições incomodam mais. Veja bem, moro aqui há pouco mais de 2 anos e meio e nunca tinha notado o coitado do chão da minha varanda!

Imagem: Flickr - Nova

Imagem: Design Sponge
Eu me apaixonei por essa última imagem.... quero já ter um banheiro assim para chamar de meu, posso?


JÁ ESCOLHI O REJUNTE QUE QUERO. E AGORA?

Vou ser bem sincera: ainda não sei exatamente. Sei que cores neutras como areia, cinza, grafite, você encontra pronto para vender. Agora, esses coloridos mesmo, eu não achei. Pelas minhas pesquisas, você tem que misturar as cores em casa, e é o que pretendo fazer.
  • No E-How tem um passo a passo para você obter um rejunte colorido usando tinta acrílica, aqui.
  • No Wiki-How, tem um passo a passo para colorir rejunte sujo com tinta, aqui.
  • No Além da Rua Atelier, num post sobre mosaicos, a Verônica faz uma pequena observação sobre os rejuntes que usa, aqui.
"Mas Ju, como é que você quer colorir os seu rejunte, se você ainda não descobriu exatamente como se faz isso?"  Com a mesma tática que sempre uso nas lojas antes de me aventurar em algo novo: perguntando! Foi assim que fiz o caminho de mesa de azulejos, por exemplo. ;) Vou chegar numa loja de materiais de construção:

- Moço, você tem rejunte colorido para vender? Não?! Então o senhor poderia fazer a gentileza de me explicar como faço para colorir o rejunte?

E é claro que depois volto para contar para vocês! =D


22 de junho de 2015

5 Dicas para ter uma casa perfeita





Quando eu estava em Barcelona, na segunda etapa da viagem já na casa da Erica, eu tive um quartinho só para mim. E às vezes, depois que dava boa noite para as meninas, dava umas folheadas num livro que levei. Sou dessas que gosta de ler à noite. Mas em um dos nossos passeios pela Rambla, comprei uma revista espanhola de decor, e numa das noites, troquei o livro pela revista. Lá li alguma coisa sobre casa perfeita. Fiquei refletindo por um tempo: o que é uma casa perfeita? Como ter uma casa perfeita? E este post é o resultado dessas reflexões. E fique a vontade para debater nos comentários, vamos trocar figurinhas!

DICA 1: NÃO BUSQUE A PERFEIÇÃO. ELA NÃO EXISTE.

Desculpa te decepcionar, mas perfeição não é uma coisa inerente do ser humano. Não é coisa desse mundo. O que não é desculpa para fazer as coisas de qualquer jeito. Façamos o nosso melhor, e nos contentemos com isso.
Ademais, buscar a perfeição é bem complicado, até porque, o que é perfeição? O que é perfeito para mim, pode não sê-lo para você. Para alguns, a decoração perfeita pode ser a escandinava, e para outros, a étnica. E quem está certo, afinal?
Busque o que é melhor para você e te faz mais feliz.


DICA 2: TENHA APENAS O NECESSÁRIO E AQUILO QUE VOCÊ AMA

Sim, estou falando de reduzir o consumo. Mas não só. Não exagere nos móveis, nem na quantidade nem no tamanho.
"Ah, eu moro numa casa pequena, toda casa pequena precisa de armário para guardar tralha!" Precisa mesmo? Ou você apenas não consegue se desfazer das tralhas? Móveis demais costumam comprometer a circulação, o que pode atrapalhar muito o dia a dia de quem vive na casa.
E reduzir o consumo tem uma relação direta com isso: se compramos menos, temos menos necessidade de guardar as coisas. Veja bem, eu não estou falando para ninguém virar santo e comprar só o estritamente necessário para a sobrevivência. Compre aquilo que você ama e te fará feliz. O meu convite é para você não sair comprando por comprar, sabe?


DICA 3: FUNCIONALIDADE E ESTÉTICA TÊM QUE CAMINHAR JUNTAS
 
De nada adianta pensar na estética,  e a sua casa não conversar com o seu estilo de vida. De que adianta ter uma adega de vinhos se você não bebe? Eu particularmente acho lindas decorações com vinho: adega e vidros com rolhas dentro. Mas a minha casa é o meu lar, não é uma mostra expositiva, então, as coisas que entram na minha casa têm que fazer algum sentido para mim.
De que adianta você querer trocar a sua geladeira por um frigobar retrô lindo de morrer, se você é daquelas pessoas que cozinham todo dia? Sua vida no dia a dia será um inferno. Seria bem melhor você ter uma geladeira comum, que atenta às suas necessidades. Se a aparência estiver incomodando, sempre há a possibilidade da customização.



DICA 4: TENHA UM CANTO PARA O QUE VOCÊ AMA

Pode ser cantinho de plantas, do café, da música, dos cheiros. O importante é você saber que a sua casa te dará momentos de prazer, e que ela te acolherá com os braços abertos, sempre. Quando a gente olha para algo que amamos, o coração sorri. E isso faz da casa um lar.




DICA 5:  NÃO SE ESQUEÇA DA CIRCULAÇÃO

Parece uma dica óbvia, mas eu juro de pés juntos que tem muita gente que esquece de levar isso em consideração.  Entre a minha cama e a sapateira, eu tenho apenas 45 cm para circular. É possível passar por ali? É. Mas já perdi a conta de quantas vezes fiquei com a perna roxa. E já cansei de ver quartos com cabeceira tipo baú, e para circular nos pés da cama, você precisa passar de lado, porque andando normalmente não dá. Nesses casos, é melhor trocar a cabeceira baú por uma tradicional, ou até mesmo, abrir mão dela.



 Você segue algumas dessas dicas? Eu sigo praticamente todas, mas tenho um problema de circulação no meu quarto, que não tenho como resolver de forma simples, já que os móveis são embutidos  e já estavam aqui quando me mudei. Mas uma coisa que eu sempre acho que poderia melhorar é a dica 2: não sou de comprar muito, mas tenho um fraco: brincos. Fora as coisas que eu ganho e os papéis antigos, que tenho uma preguiiiiiça de separar para jogar fora.
Conta pra gente, vai!  E se tiver mais algum palpite que eu não citei, fique à vontade!


*A casinha de cimento que ilustra a capa desse post agora é minha, pois ganhei de presente, mas foi feita pela Carla, do The Blue Post, para a edição "Coisa de Artista" do DIY Coletivo, e você pode conferir o passo a passo aqui.


19 de junho de 2015

Decorando em 1 segundo: como usar vaso solitário sem ter uma flor?



Em geral, a gente tem um vaso solitário dentro do armário, e pega quando ganha ou compra uma flor. Na minha casa, não é muito diferente. Ou melhor, não era.
Para o dia das mães, eu fiz um vaso solitário com materiais de loja de construção e mostrei o passo a passo aqui. Comprei uma rosa na feira livre que tem perto de casa aos sábados. Mas naturalmente, depois de alguns dias, ela murchou.
Mas quem disse que eu guardei o vaso no armário? Não, eu não estava planejando nada. Chame de preguiça, esquecimento, descuido, seja o que for. A verdade é que ele ficou jogado lá, no meu cantinho de trabalho.



Como vocês sabem, ou devem imaginar, o que não falta na minha casa é material para artesanato e para os DIYs da vida. Eu tenho esses dois raminhos de rosas, que comprei numa papelaria na parte de festas. Não sei se isso tem um nome específico, mas as rosas se soltam e têm um aramezinho, que permite você amarrá-as em algum lugar. Fica fofo em embalagens de presente por exemplo. E já vi gente enfeitando clips e tiaras com elas. 
Os meus raminhos ficavam num porta lápis, junto com estiletes, tesouras, réguas e afins.



Até que chegou o dia da diarista. Não sei o que passou pela cabeça dela, quando viu o meu vaso solitário fazendo bagunça na escrivaninha. Só sei que ela teve uma ideia simples e estupenda! 
Quando cheguei em casa, dei de cara com as minhas rosinhas no vaso solitário, formando uma espécie de buquê. E me apaixonei!
Não é super legal guardar material de forma que ele pareça que é um objeto de decoração e ninguém perceba que é você está apenas armazenando algo?


De perto! Amor, amor, amor!




Fica a lição: olhe com carinho para o que você tem/ precisa ter. Existe uma nova forma de dispor os objetos, de armazenar os materiais? Pense fora da caixinha, exercite o olhar!

E vocês, já fizeram alguma adaptação que mais parece algo meramente decorativo? Contem pra gente!

15 de junho de 2015

De janela na caçamba a espelho na casa da Sandra


! Hay una ventana en mi pared! - assim pode se vangloriar a Sandra, se quiser.


Nascida e criada no Chile e moradora da Cidade Maravilhosa há 14 anos, eu conheci a Sandra na casa de amigos em comum, aqui no Rio. E foi num almoço na casa desses amigos que ela me contou a história da janela que virou espelho.

"Estava voltando do trabalho, quando o ônibus parou, e vi duas janelas no lixo. Fiquei na dúvida se pegava ou não. Eu fiquei com vergonha, porque eu estava arrumada, com roupa de trabalho e as janelas estavam imundas. Desisti. Mas um ou dois pontos depois, me arrependi. Desci, e voltei andando até as duas janelas. Elas eram de tamanhos diferentes, escolhi a menor para levar para casa. 
Coloquei a janela no ombro, e já que tinha uma estação perto, peguei metrô. A essa altura, meu vestido já estava sujo e as pessoas me olhavam! Foi muito engraçado!"

São histórias assim que deixam a nossa casa única, mais divertida. Afinal, é sempre uma delícia ter histórias para contar, não é mesmo?


Mas a Sandra é muito legal, e não só nos contou a história da janela- espelho, ela liberou também o passo a passo! Ueba!


Passo 1: Limpe a janela para tirar toda a poeira. Se tiver alguma parte solta, cole com silicone.

Passo 2: Lixe um pouco, só para suavizar a madeira.



Passo 3: Faça uma mistura de cola branca de madeira, água e pó xadrez na cor vermelha, que faz a tinta ficar mais opaca. Pinte, espere secar e passe a segunda demão.

Passo 4: Leve a uma vidraçaria e mande colocar espelho. 

E está pronto! É só pendurar na parede e sorrir de orgulho da sua obra!




Quando a gente vê o resultado final, a gente vê que não é vergonha alguma sujar a roupa do trabalho catando lixo na rua! É motivo de orgulho! Não ficou linda a janela - espelho da Sandra?

Alguém notou a Amélie no cantinho do espelho? Eu não pude deixar de reparar! Amor define! <3

E você, já pegou alguma coisa na caçamba que te faz morrer de orgulho e felicidade? Conta pra gente, vai!

12 de junho de 2015

Inspira nos 30: caneca marmorizada

Que tal um pouco de inspiração para colorir a nossa sexta, e colocar a mão na massa rapidinho no fim de semana?

Dê o play e inspire-se!



 


Alguém aqui já tentou fazer algo com essa técnica?  Conta pra gente! E se colocar a mão na massa nesse fim de semana, mande fotos! Eu e a Sheylla vamos amar!

10 de junho de 2015

Surdez: viajando sozinha com conexão

Fiquei algum tempo pensando se faria ou não este post. Costumo ser fiel à minha linha editorial: casa, decoração, faça você mesmo e bem viver relacionado à casa. Mas dessa vez resolvi abrir uma exceção. Primeiro, porque este post pode ajudar alguém. Segundo, porque a viagem que eu acabei de fazer só aconteceu por causa desse blog.

Sente numa cadeira confortável que este post é longo!

Huningue, França. Foto: Carla Torci/ The Blue Post

Já falei por alto sobre a minha deficiência por aqui. Mas para quem ainda não sabe, sou deficiente auditiva com perda bilateral profunda. Tive meningite com 1 ano e 8 meses, e acabei perdendo a audição. Com o empenho dos meus pais e o apoio de fonoaudiólogos, aos 5 anos eu estava oralizada e compreendendo o que me era dito através da leitura labial.
Aos 20, fiz uma cirurgia que me deu mais qualidade de vida: tornei-me uma implantada. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o implante coclear é uma bênção, mas não é um milagre. Para quem tiver interesse, aqui você pode ler um resumo sobre o que é o implante coclear e o que ele pode proporcionar a um deficiente auditivo. Caso você tenha lido esse artigo, eu me encaixo no grupo daqueles "(...) pacientes cujo implante ajuda apenas a perceber os sons sem conseguir compreender a fala". Afinal, foram 18 anos que vivi no silêncio absoluto e não desenvolvi a memória auditiva.

Eu e Carla (The Blue Post), na Alemanha.

Viajar de avião sozinha não é uma das tarefas mais simples, mesmo quando se trata de voo direto em território nacional. Já teve gente que me disse: "ah, mas é só acompanhar aquele telão". Não, não é. Nem sempre ele está sincronizado com o auto falante e a informação de mudança de portão só aparece na tela minutos depois. Já aconteceu comigo duas situações, que se eu tivesse confiado no telão, teria perdido o avião ou ficado à deriva, sem compreender o que estava acontecendo e sem saber o que fazer. Uma no Rio de Janeiro, numa viagem a trabalho, quando mudaram o portão no último minuto; e outra em Lisboa, quando voltava da viagem que fiz a Portugal ano passado, e os funcionários da TAP resolveram paralisar e fecharam o portão de embarque.
Mas para este porém existe solução: pedir acompanhamento. Já pedi algumas vezes e já vi que rola.

Só que eu nunca tinha precisado pedir acompanhamento em viagens com conexão. Nas oportunidades anteriores, todas as vezes que fiz conexão, eu não estava sozinha.
Quando ficou decidido que o encontro oficial da equipe SOS Decor - DIY Coletivo duraria 5 dias (para quem não sabe do que estou falando, está tudo explicado aqui), quem mora em terras brasileiras reconheceu que era pouco tempo para todo o esforço que seria fazer essa viagem - tanto no quesito financeiro, quanto na organização: eu por exemplo, tive que mudar a data das minhas férias bem em cima do laço e perdi um monte de aulas. Cada uma de nós se organizou do jeito que deu para aproveitar ao máximo a viagem além do encontro oficial.

Eu aceitei o convite da Carla, do The Blue Post, uma das meninas da nossa equipe, que mora na Alemanha, numa cidade perto da França e da Suíça para passar uns dias na casa dela e depois, seguirmos juntas para Barcelona. Isso implicou em fazer conexão em países cujos idiomas eu não falo (holandês na ida, e francês na volta). O que já não é muito simples aqui, é óbvio que é bem mais complicado em terras estrangeiras.

Teve gente que, ao saber que eu faria essa viagem com conexão voando pela Air France, disse que eu estava louca:
"Isso é uma temeridade!"
"Isso é loucura!"
"Cia aérea para surdo é aquela que fala português!"

Só para citar algumas frases que eu tive que ouvir. Não escrevo mais para não ofender algumas pessoas queridas.

É claro que é compreensível o medo de quem me falou essas coisas. Mas se formos nos deixar levar pelo medo o tempo todo, oportunidades são perdidas. E eu não queria perder de jeito nenhum esse encontro do DIY Coletivo. Fui, voltei, fiz todas as conexões, deu tudo certo e tenho algumas dicas para dar!

Basel (ou Basiléia), Suíça.


DICA 1: TRABALHE O MEDO

É o primeiro passo. Se pararmos para pensar, nossas ações são fruto do nosso emocional. Se tivermos algum medo mal trabalhado, a gente não faz certas coisas. Eu por exemplo, tenho PAVOR de cobras, então não faço trilhas.
E acredite, mesmo que você não tenha tanto medo, sempre terá alguém com mais medo que você, e pode tentar te influenciar. Na maioria das vezes, é na intenção de fazer o bem, mas que acaba atrapalhando ao invés de ajudar.  Aprenda a lidar com essa influência negativa.
Mas veja bem: não estou dizendo que viajar sozinho sem ouvir não envolve riscos. Sim, envolve. Tudo na vida tem risco.

DICA 2: CALCULE OS RISCOS

Não é porque você já passou pela dica 1, se encheu de coragem, que vai jogar os riscos no lixo. Eles continuam existindo. E é importante reconhecê-los todos. Porque é reconhecendo os riscos que a gente encontra ferramentas para contorná-los, e consequentemente, minimizá-los. Possíveis riscos: se perder, perder o voo, extravio de bagagem, problemas de comunicação no controle de imigração...


DICA 3: SINALIZE QUE VOCÊ É UM DEFICIENTE NO ATO DA COMPRA DA PASSAGEM

Em geral, as cias aéreas mostram uma opção para você marcar caso seja um deficiente. Não sei precisar como isso funciona nas empresas brasileiras, já que as vezes que viajei sozinha em território nacional, foram a serviço, e nesse caso, quem compra a passagem é uma agência contratada pelo órgão que trabalho. Mas a Air France, por exemplo, pede para você especificar se a sua deficiência é física ou sensorial, e em seguida, bloqueia o site, te dá um número de reserva e não deixa você finalizar a compra. Horas depois, mandam um e-mail pedindo para você especificar o tipo de assistência que você precisa, e te dão um número de telefone, caso você queira verificar se a sua assistência está confirmada, e só então, você finaliza a compra da passagem. Eu achei isso fantástico e me senti muito mais segura! 

DICA 4:  E AVISE TAMBÉM NO CHECK IN

Nessas horas eu nunca faço check in pela internet, nem naquela maquininha do aeroporto. Faço junto com o despacho da bagagem, com uma pessoa física. Em alguns aeroportos, colocam você na fila preferencial e colocam na sua mala um adesivo que sinaliza que você é deficiente. É nesse momento que o funcionário da cia aérea solicita que a assistência te busque naquela hora, ou te pede para voltar num determinado horário.
E pelo amor, chegue no aeroporto com no mínimo 2 horas de antecedência. Já estamos numa situação desfavorável, não compliquemos a coisa pro nosso lado.
Essa dica se torna ainda mais importante quando você não consegue sinalizar que é deficiente ao comprar a passagem.

Vitra Haus - Weil am Rhein, Alemanha. Aguardem um post sobre o que vi e amei nesse lugar!


DICA 5: CONFIE NO PAPEL

Papel não tem sotaque, não fala diferente, não depende de wifi, não acaba a bateria. Mesmo que você fale bem inglês (o que não é o meu caso), escreva tudo que você imagina que pode precisar falar na viagem. Leve escrito em português (para você saber o que quer falar), em inglês e no idioma da sua cia aérea. Pense nas coisas básicas (como o aviso de que você é deficiente), bem como nas perguntas que podem fazer na imigração. Algumas sugestões:

- Sou deficiente auditivo, solicitei assistência ao comprar passagem pela (sua cia aérea).
- Meu voo é:
- Minha bagagem sumiu. O que eu faço?
- Motivo da viagem (férias, turismo, trabalho, visita familiar, etc)
- Meus endereços de hospedagem são:
- Volto para o Brasil (data da sua volta).
- No Brasil trabalho com (a sua função, atividade) em/ no (lugar que você trabalha). Adapte a frase se você for estudante, freela, empresário.

Pense também nas questões específicas da sua viagem. O meu destino final era um aeroporto que servia a 3 países e tinha 2 portas: uma para a Suíça e outra para a França e Alemanha. Coloquei no meu papel: "Gostaria de sair pela porta da França e da Alemanha, onde fica?" . 

Eu nunca precisei, mas seguro morreu de velho: anote nesse papel o endereço e o telefone do consulado brasileiro dos lugares pelos quais você irá passar. Principalmente o dos países onde ocorre a troca de avião.

"Ah, mas eu não sei traduzir para outras línguas!" Eu também não sei, o único idioma que eu realmente aprendi além da minha língua mãe, foi o espanhol. Peça ajuda. Sempre tem alguém que saiba. No meu caso, quem traduziu para o inglês, foi a Sheylla, do @15sideas (veja o trabalho dela aqui e aqui), e para o francês, um amigo parisiense. Na pior das hipóteses, recorra ao google translate. É uma porcaria, mas é melhor que nada e quebra um galho.

DICA 6:  LEVE TODOS OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS E UM POUCO MAIS

O necessário é óbvio, serve para qualquer um. Sem os documentos necessários, a gente não entra em país algum. Para os países na União Européia, precisamos de passaporte, endereço de hospedagem, seguro viagem, passagem de volta. Geralmente apresento só isso, e dessa vez, mostrei o papel citado acima, caso o funcionário da imigração quisesse me fazer alguma pergunta, as respostas provavelmente estariam lá.
Mas a gente sabe que volta e meia, a imigração resolve implicar com turistas brasileiros, e faz umas perguntas sem cabimento. A imigração inglesa já mandou essa para uma amiga: "Ah, então você é museóloga lá no Brasil? Me fale o nome de 4 museus que tem aqui!". Se fosse comigo, eu não entenderia o que o sujeito estava me perguntando e isso pode gerar confusão. Por isso acho prudente levar algum documento a mais, que comprove seu vínculo com o Brasil.
Eu costumo levar o meu contracheque e a identidade emitida pelo serviço público. Nunca precisei apresentá-los, mas é melhor prevenir que remediar. Problemas com a imigração é a última coisa que nós queremos, não é mesmo?

Tinha um paparazzi no meio da viagem. rs. Colmar, França. Foto: Carla Torci/ The Blue Post.


DICA 7: ESTEJA SEMPRE EM ALERTA

Eu notei que nem sempre especificam ao assistente qual é a deficiência do passageiro. Na minha volta, em Paris, me esperaram na porta do avião com uma cadeira de rodas. E em Amsterdã, onde eu tive que esperar umas 3 horas antes de pegar o segundo avião, eles marcaram comigo uma determinada hora para eu comparecer na assistência. Dei uma volta para almoçar e um pouco antes da hora marcada, eu já estava sentada num dos bancos da assistência, esperando. Eis que aparecem dois assistentes chamando "Amado, Amado", sem me cutucar. Viu alguém chegar, preste atenção para saber se é você que estão chamando. Na dúvida, pergunte.

DICA 8: APELE PARA A LINGUAGEM UNIVERSAL

Precisa se comunicar e não consegue? Gestos e apontamentos. Ficar apontando e gesticular pode ser esquisito, mas funciona. Eu usei esse método e o pessoal do aeroporto e da cia aérea também. Na minha ida, quando eu peguei o segundo avião, não tive taaaaaanta certeza de que estava no avião certo, chamei a comissária, que provavelmente era holandesa, apontei para o meu lugar de destino na passagem, e com gestos, perguntei se estava no voo certo. E ela, também com gestos, me respondeu que sim, aquele avião estava certo.


DICA 9: NÃO CONTE COM WIFI DE AEROPORTO

"Ah, mas todo aeroporto tem wifi!". Em tese, sim. Na prática são outros quinhentos. No Rio de Janeiro e em Amsterdã foi tudo ok. Em Paris e em Barcelona não funcionou. Eu via que tinha sinal, mas eu não conseguia usar nem o whatsapp. Isso foi meio problemático em Barcelona, porque eu e a Carla chegamos um dia antes da reserva do nosso apê, e dormimos uma noite na casa catalã da Erica (Home Sweetener), e a gente não conseguia avisar que estávamos a caminho, obrigando a Carla a comprar um pacote de dados para usar a internet. E a Karen (Pot pourri da Karen) chegou em BCN quando já estávamos no apê, ela também não conseguia nos avisar que tinha chegado no aeroporto, e nós ficamos preocupados.
Ou seja, se tiver wifi, ótimo. Mas tenha sempre um plano B. O meu plano B foi ter o endereço e o telefone de todo mundo dos lugares que eu ia.

E POR FIM, APROVEITE A VIAGEM E DIVIRTA-SE! 

Viajar sozinho sem ouvir e fazendo conexão não é a coisa mais confortável do mundo. Mas tomando todas as precauções não é um bicho de sete cabeças. Embora a acessibilidade nos aeroportos não seja exemplar, as pessoas costumam ser atenciosas com deficientes.

Um pouco do que eu teria perdido se tivesse me deixado levar pelo medo:

Fondation Beyeler, Riehen, Suíça.

Primavera européia. Riehen, Suíça.

Le Petit Venice, Colmar, França.

Parece pintura de Monet, mas é de verdade. Colmar, França.

DIY Coletivo na Casa Batlló, Barcelona, Cataluña, Espanha.

DIY Coletivo no Parc Güel, Barcelona. Da esquerda para a direita: Erica (Home Sweetener), Carla (The Blue Post), eu, Karen (Pot Pourri da Karen) e Thamyrez (Casa Design Studio).

DIY Coletivo e o lagarto de Gaudí! Parc Güell, Barcelona.

Pés no Mar Mediterrâneo! Barcelona, Cataluña, Espanha. Foto: Karen Rampon/ Pot pourri da Karen.

Karen, eu e Thamyrez provando suquinhos diferentes a "un euro", no mercado de La Boquería, Barcelona.

Explicando mais detalhadamente, eu fiquei 15 dias viajando, e creio que posso dividir a viagem em 3 etapas:

1) 5 dias na casa da Carla, na Alemanha, perto da França e da Suíça.
2) 5 dias com a equipe DIY Coletivo semi- completa no apê que alugamos: apenas a Stephany, do Feita com muito esmero, não pôde estar com a gente no nosso primeiro encontro oficial.
3) 5 dias na casa da Erica, que na verdade mora na Austrália, mas está morando em Barcelona por uns 2 meses. A essa altura, Thamyrez já tinha seguido viagem, mas Carla e Karen também foram para a casa da Erica.

Já que este post já está gigante, não custa nada deixá-lo um pouco maior! rsrsrs.

Carla: obrigada por todo o carinho que você teve ao me acolher na sua casa. Por me buscar no aeroporto, pelos passeios, pela hospedagem, pela casinha de cimento. Por tudo! Foi tudo incrível!

Erica: obrigada por nos hospedar, mesmo com duas crianças em casa, e por nos fazer sentir à vontade.

DIY Coletivo: o que dizer dos dias que passamos todos juntos? Acho que não há palavras no mundo que expliquem os dias mágicos que vivenciamos. A sintonia, a cumplicidade, a colaboratividade, a diversão, a troca de ideias. E que esse seja apenas o primeiro de muitos encontros!

Qualquer dúvida sobre a viagem, vocês já sabem, né? É só usar esse espacinho de comentários e perguntar! Mandar e-mail também tá liberado! ;)

8 de junho de 2015

DIY Coletivo - tipografia na decor: "A" de papel de rascunho


Mesmo tendo viajado para o outro lado do oceano, eu me esforcei para participar do DIY Coletivo desde mês, e deixei tudo pronto antes da viagem. Até porque o tema da vez é tipografia na decor, e já tem algum tempo que estava querendo um "A" para chamar de meu. Afinal é uma letra que para mim significa tantas coisas: além de ser a inicial do meu sobrenome, pode significar AMOR, até porque, o que é a nossa casa sem amor? E também, pode ser "A" de arte, quem me conhece sabe que ela é a seiva do meu viver.

Mais uma vez, eu não gastei 1 centavo para fazer esse projeto, usei coisas que já tinha em casa. E o melhor? Fiz em 5 minutos! Projetinho rápido e barato do jeitinho que a gente gosta! Iei!


Vamos ao passo a passo? Veja como é bem simples! ;)


Passo 1: Pegue uma folha de rascunho qualquer. Acredito que jornal e revista servem. Eu usei uma folha A4 comum, que era do roteiro da viagem que fiz ano passado. Evite pegar uma folha nova, todo mundo tem rascunho em casa, não é mesmo?
Enrole começando pela diagonal. Tente enrolar o mais fino que puder. Isso dará mais firmeza à letra depois.

Passo 2: Prenda com fita crepe.

Passo 3: Para o que você fez até agora não se desmanchar no passo seguinte, prenda todo o canudinho com a fita crepe.

Passo 4: Recorte o canudinho mais ou menos no meio.


Passo 5: Junte as duas partes, e acerte para que fiquem do mesmo tamanho. Não jogue a "sobra" fora, vamos precisar dela!

Passo 6/ 7: Una as duas partes por uma das extremidades e prenda, envolvendo com a fita crepe.

Passo 8:  Sabe a "sobra" do passo 5? Ela será o tracinho do "A". Prenda envolvendo com a fita crepe.


Passo 9: Ao envolver a fita crepe no tracinho do "A", o acabamento ficará esquisito, como mostra na foto. Recorte esse pedacinho da fita crepe que forma uma espécie de asa.

Passo 10: Repita os passos 8 e 9 no outro lado. A letra está pronta, só falta decorar!

Passo 11: Comece fazendo um acabamento na base com a washi tape. Parece um pequeno detalhe, mas faz muita diferença no aspecto final.

Passo 12: Envolva toda a letra com a washi tape. Mas por questões de acabamento e economia de material, não saia enrolando direto. Corte pequenos pedaços que sejam suficientes para cobrir a circunferência e repita o processo até cobrir toda a letra.

E cabô! Mais simples, impossível, né?


Você pode usar a sua letra na decoração de várias formas. Eis algumas ideias:






Como sempre, as inspirações não param por aqui. Espia só os projetos das outras meninas!


The Blue Post
Pot pourri da Karen















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